O mundo da arte portuguesa está de luto pela morte de João Queiroz, artista plástico e pintor, aos 68 anos, vítima de doença prolongada. A notícia foi confirmada pela Galeria Miguel Nabinho, que representava o artista e onde expôs regularmente ao longo das últimas décadas.
Nascido em Lisboa em 1957, João Queiroz estudou Filosofia na Universidade Clássica de Lisboa, formação que marcou profundamente a sua abordagem artística. O seu trabalho, centrado na exploração da paisagem e da perceção, destacou-se pela subtileza e pela complexidade com que tratava o espaço, a cor e a luz. Longe de uma visão descritiva, a sua pintura procurava interrogar o olhar, conduzindo o espectador a uma experiência quase meditativa.
Entre 1989 e 2001, João Queiroz foi professor no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, onde influenciou várias gerações de jovens artistas. Ao longo da sua carreira, foi distinguido com importantes prémios nacionais de arte, entre os quais o Prémio EDP de Desenho (2000), o Prémio União Latina (2001), o Prémio de Pintura Gustavo Cordeiro Ramos (2004) e o Prémio AICA (2011).
A sua obra encontra-se representada em diversas coleções públicas e privadas, incluindo a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu de Serralves, a Fundação EDP e a Fundação Luso-Americana.
Colegas e críticos descrevem João Queiroz como um pintor de rara profundidade intelectual, que aliou a técnica à contemplação filosófica. A sua morte representa uma perda irreparável para a arte contemporânea portuguesa, mas o seu legado permanece vivo nas suas obras — silenciosas, enigmáticas e cheias de uma beleza contida, que continuará a inspirar futuras gerações de artistas.
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