Portugal despede-se de Álvaro Laborinho Lúcio, antigo ministro da Justiça, que faleceu aos 83 anos, vítima de doença prolongada. Natural da Nazaré, onde nasceu a 1 de dezembro de 1941, Laborinho Lúcio foi uma das personalidades mais respeitadas do meio jurídico português, distinguindo-se pela sua integridade, pensamento humanista e contributo para o reforço da cidadania e da justiça social.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, iniciou a sua carreira no Ministério Público, tendo desempenhado funções como Procurador-Geral Adjunto e inspetor da magistratura. O seu percurso de serviço público foi exemplar, destacando-se também como diretor do Centro de Estudos Judiciários e da Escola da Polícia Judiciária, onde promoveu uma nova visão da formação dos profissionais da justiça.
Em 1990, integrou o Governo de Aníbal Cavaco Silva como ministro da Justiça, período em que se destacou pela defesa da modernização do sistema judicial e pela aposta em políticas de proximidade com o cidadão. Posteriormente, entre 2003 e 2006, foi nomeado ministro da República para os Açores, cargo que exerceu com reconhecida competência e equilíbrio institucional.
Além da carreira política e jurídica, Laborinho Lúcio foi também escritor e ensaísta, autor de várias obras sobre ética, justiça e educação. A sua escrita revelou um olhar sensível sobre a condição humana e uma preocupação constante com a construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Diversas personalidades políticas e judiciais lamentaram a sua morte, recordando-o como “um homem de Estado íntegro e inspirador”. O seu legado permanece vivo no pensamento jurídico português e na memória de todos quantos valorizaram a sua dedicação à justiça e à causa pública.
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