José Sócrates regressou esta terça-feira ao tribunal para prestar novas declarações no âmbito da Operação Marquês. Foi o próprio antigo primeiro-ministro de 69 anos que pediu para voltar a ser ouvido, cerca de um ano depois das últimas declarações. Sócrates responde a uma acusação que inclui 22 crimes: três de corrupção, seis de fraude fiscal e 13 de branqueamento de capitais. Até ao momento, o Estado português foi condenado a pagar 15 mil euros ao antigo governante por violação do segredo de justiça.
A audiência ficou marcada por alguns momentos de humor. A certa altura, Sócrates classificou a acusação como “um absurdo” e preparava-se para explicar as suas razões quando foi interrompido pela juíza. “Vai falar dos cinco absurdos?”, questionou a magistrada. “Não, mas noto que já sabe quantos são”, respondeu Sócrates, provocando risos na sala. A juíza ripostou: “Como vê, estou com atenção”. O antigo primeiro-ministro explicou então que inicialmente identificara cinco pontos, mas entretanto acrescentara outros.
“Quer que recorde quais os absurdos da acusação?”, perguntou. Perante a resposta negativa da magistrada, voltaram a ouvir-se risos. Mais tarde, porém, o ambiente ficou tenso. Advertido por se afastar da matéria em discussão, Sócrates afirmou: “Se acha que me vou render aos seus ditames está muito enganada”.
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